Revivendo a era viking

Por Maricy Guimarães

Não se sabe como e nem o porquê, mas esses moços são apaixonados por tudo o que diz respeito à cultura Viking. E trabalham muito na pesquisa histórica para reproduzir o mais fielmente possível uma Vila Viking de verdade. Ela já está semi pronta e nos finais de semana eles costumam reunir interessados em aprender como fundir metal, cozinhar, se vestir, cantar e até se banhar no rio, à moda viking. E tem atraído muita gente.

Wallace, Paulo e Vinícius, nossos entrevistados e donos da vila explicam que o espaço é um museu vivo. Estamos tentando remontar a era viking da forma correta do ponto de vista cultural e histórico, dizem.

A recriação histórica existe há séculos. Em Roma eles reproduziam locais invadidos, as batalhas no Coliseu etc. No Brasil, a reprodução histórica viking acontece há mais de 10 anos. Começou com o grupo Head Nick, depois foi abrindo para outros grupos, explica Paulo.

Fazíamos encontros em locais alugados, esperávamos eventos, para poder reproduzir as vestimentas, armamentos, estilos de luta, culinária, deuses que eles cultuavam, a música etc. Chegou ao ponto em que a gente queria mais, então tentamos criar um assentamento viking, coisa que na Europa existe há bastante tempo. A Vila Viking é uma imersão do que era a vida na era viking com embasamento histórico.

Do grupo, Vinícius é quem estuda o período há mais tempo e é um dos mais apaixonados pela cultura viking. Ferreiro profissional há sete anos, ele começou fazendo facas artesanais, mas sempre quis trabalhar na produção de peças medievais da era viking e também de outros períodos.

Gosto de fazer panelas, armaduras. Apesar de eu ter um maquinário moderno, as técnicas são as mesmas utilizadas há séculos, explica.

Existiam vários processos de fundição, o mais comum era uma fornalha, no qual se jogava terra e carvão dentro de uma chaminé, e soprando o ar da maneira correta, com a atmosfera correta, é possível atingir a temperatura correta, embora dê muito trabalho, conta Vinícius.

O método de trabalho daquela época costumava ser comunitário, havia pelo menos duas pessoas trabalhando numa mesma coisa. Além disso, mão de obra era muito barata e os materiais eram caros, ao contrário de hoje. Escravos e crianças trabalhavam de graça.

Hoje é muito melhor do ponto de vista ético e econômico também (risos). Mas na vila fazemos coisas básicas em 2 porque não dá para fazer sozinho. Estamos fazendo dobradiças para colocar nas portas, trancas das casas, pregos para serem usados lá, diz o ferreiro.

A Vila Viking tem carpintaria, fundição, ferreiro. Dá para passar até dois dias tranquilamente por lá, desde que você se despoje de luxos, requintes da vida moderna e tecnologia. Você pode por exemplo ter uma experiência gastronômica diferente, aprender a fundir metal, tomar banho no rio, beber cerveja da época e outras situações interessantes que fogem completamente ao estilo de vida considerado ‘moderno’.

Como tudo começou

Paulo conta que trabalhou por nove anos numa empresa de assessoria jurídica sempre com o sonho de cultivar a cultura viking. Pediu as contas e com o dinheiro comprou um terreno. Conversou com três amigos que toparam ser sócios no negócio, desde que todo material ganho fosse investido em madeira para dar origem à vila. Ao término, pretendem ainda construir um Dakar, ou barco viking.

A ideia dos rapazes é viver por lá, mas como eles mesmo dizem, é plano futuro.

Já temos nossa paliçada (muralha de madeira), dentro temos nosso grande salão, para discussão de planos e realização de nossos banquetes, temos fosso. Queremos ser autosustentáveis; entrar lá e não depender de nada, nem de energia elétrica, planeja Paulo.

Os interessados podem se inscrever no facebook desses vikings modernos, o Vila Viking, ou ficar ligado nas informações postadas no instagram: @vilavikingbrasil

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