Saudades do Glamour

O arquiteto Wilson Godoy de Toledo relembra seus tempos de colunista social; ele trabalhou nos principais jornais da região do Alto Tietê, também fez rádio e televisão. Mas sua paixão mesmo foram as festas

Wilson Toledo é arquiteto há 40 anos e nunca pensou na possibilidade de deixar a profissão, que exerce há 40 anos. Mas no decorrer de sua vida se dedicou a outra paixão por um bom tempo: a Comunicação. Por obra do acaso e por sua desenvoltura no circuito social de Mogi das Cruzes, Wilson foi convidado a assumir o posto de colunista social do jornal Mogi News em 1994, local onde acabou ficando por quase 20 anos.

Também trabalhou nos jornais O Diário de Mogi e A Semana, teve um programa diário na Rádio metropolitana e um programa de TV no canal 21 da Canbrás.

É claro que o começo dessa segunda profissão deu um frio na barriga, mas Wilson enfrentou o desafio com a mesma familiaridade que frequentava as festas.

Eu já frequentava a sociedade mogiana, era muito amigo do Mutso (Mutso Yoshizawa, pioneiro do colunismo social na região, que comprou a marca Mogi News na década de 70) . E o Sidney (empresário Sidney de Moraes, que comprou a marca e assumiu o jornal Mogi News na década de 90) praticamente me intimou: ‘Você vai ser o próximo colunista’ (risos).

Sua inspiração para trabalhar veio do próprio Mutso e do trabalho voluntário de repórter que fazia nas festas em que Mutso não podia ou não queria comparecer. Nos bailes de Carnaval do Clube de Campo, por exemplo, ele ia só um dia e eu cobria os outros, diverte-se Wilson.

Ele acabou acompanhando toda a trajetória do jornal Mogi News – de semanário preto e branco a jornal diário colorido, e em 1998, foi parar na rádio convidado pela amiga Cristina Matta.

Seu programa diário também fez sucesso, enquanto ele seguia em paralelo trabalhando como arquiteto e decorador de interiores. Mas o que mais ficou em sua memória foram as grandes festas temáticas que realizou, no mínimo 30 em todos esses anos.

Com o apoio de um parceiro de um buffet da vizinha São José dos Campos, Wilson reviveu clássicos do cinema como o filme Casablanca no salão nobre do Clube de Campo e usou seu talento como decorador para trazer animais em tamanho natural para uma festa com inspiração africana.

O tema foi diferente, meu lado de arquiteto ajudou, transformei o salão do clube numa selva, fiz a mata e os bichos em tamanho natural. O cardápio também era todo diferenciado, me lembro que servimos javali, arroz com banana. O pessoal adorava e pedia mais festas (risos)

Em tempos de escassez de atrações, eram eventos elegantes, nos quais as mulheres podiam desfilar seus vestidos e as pessoas se divertir. Tempos de uma Mogi que praticamente não existe mais, mas deixa muitas saudades.

O antigo comércio de Mogi ele também conheceu muito bem e lembra pontos comerciais que marcaram época: a loja de presentes Gabriel Gonçalves, uma das mais ‘chiques’ de Mogi e a Casa Oliveira, loja de ferragens do comerciante Horácio de Oliveira.

Mas Wilson não é melancólico e nem de se lamentar, pelo contrário. Ele acredita que o antigo deve mesmo ceder espaço para o novo e segue fazendo seu trabalho. recentemente, assinou o projeto da pizzaria Grano, ponto comercial muito requisitado e vibra com o sucesso da casa.

Vivendo uma fase mais intimista, ele hoje não troca um bom livro em casa por um evento social, com raras exceções. São novos momentos em sua vida, que ele acolhe com ternura.

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